Foto: Vinicius Becker
Com o retorno das aulas na Universidade Franciscana (UFN), na última quarta-feira (18), e a volta das atividades na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) marcada para 2 de março, Santa Maria volta a viver o tradicional movimento de estudantes chegando à cidade.
+ Receba as principais notícias de Santa Maria e região no seu WhatsApp
Juntas, as duas instituições somam mais de 35 mil estudantes. Uma parcela deste número chega ao município pela primeira vez, em busca de um local para morar. Este movimento impacta diretamente o setor imobiliário, especialmente o mercado de locações.
Imobiliárias consultadas pelo Diário relatam aumento na procura por imóveis nas últimas semanas, embora com intensidade diferente entre as empresas. O início do ano letivo é considerado estratégico para o faturamento anual, com perfil de busca bastante específico: apartamentos compactos, mobiliados e próximos às universidades.
Aumento na procura e perfil desejado
O movimento de estudantes, muitos vindos de outras cidades, se reflete em diferentes intensidades nas imobiliárias consultadas. Parte delas relata aquecimento expressivo nas últimas semanas; outras, um avanço mais moderado.
Na avaliação de Sophia Bau, diretora da Itaimbé Imóveis, a procura cresceu de forma significativa desde dezembro, superando inclusive os dois últimos anos. Segundo ela, os imóveis mais demandados são apartamentos de um ou dois dormitórios, próximos à UFSM e à UFN, com custo total de locação, incluindo IPTU, seguro e taxas, entre R$ 1,2 mil e R$ 1,7 mil.
Percepção semelhante é compartilhada por Bruna Lima, gerente de locação da Bravier Imóveis. Ela observa que o início do ano letivo impulsiona a busca, sobretudo por unidades de um ou dois dormitórios, na faixa de R$ 1 mil a R$ 1,8 mil.
– Normalmente, os pais pedem por imóveis mobiliados ou semimobiliados. Há uma grande concentração de interesse nos bairros próximos às universidades. Para a UFSM, há uma procura de imóveis em Camobi. Para a UFN, no centro da cidade. E também uma preocupação em buscar esses imóveis próximos à paradas de ônibus, mercados, farmácias, justamente pensando na maior comodidade dos filhos – detalha Bruna.
Na Rede MOI, de Maiquel Oliveira, o cenário é descrito como o mais aquecido da história da empresa. Janeiro registrou 83 locações, e fevereiro caminha para superar esse número. O empresário destaca que o planejamento começa ainda em dezembro, mês marcado por desocupações. A preparação do estoque, afirma, é decisiva para atender a demanda concentrada no primeiro trimestre.
Também na Cancian Imóveis, conforme relata a gerente de marketing, Priscila Moro, houve intensificação da procura nas últimas semanas, especialmente após a divulgação de resultados de processos seletivos. Desta vez, especialmente devido aos diferentes processos seletivos da UFSM, a demanda se distribui ao longo de diferentes chamadas, o que, segundo ela, ajuda a organizar o atendimento.
– A gente tem procura por imóveis menores, os estúdios ou kitnets. Mas também (há procura por) apartamentos de um dormitório ou até de dois, às vezes para dividir com algum colega, amigo ou familiar. Além de uma demanda bem grande por imóveis mobiliados, para as pessoas que vêm de fora e que já buscam essa facilidade – conta.
Segundo o sócio-diretor da InVista Imóveis, Dautiere Guidolin, também há demanda por unidades maiores, como casas e apartamentos de três e quatro dormitórios, em razão da transferência de famílias. Embora a procura ocorra em toda a cidade, Camobi segue liderando o volume de contratos, em função da proximidade com a UFSM.
Já Luciane Gallina, da Gallina Imóveis, descreve um aumento mais discreto do que o esperado.
– Aumentou um pouco, mas não como nós esperávamos – afirma Luciane. Ainda assim, ela identifica maior interesse por apartamentos de um ou dois dormitórios, mobiliados ou semimobiliados, no Centro ou em áreas próximas.
O impacto do período para as imobiliárias

Se a intensidade da procura varia, há consenso quanto ao peso estratégico do período. O início do ano é tratado como um ciclo determinante para o desempenho das locações.
Na Itaimbé, os meses que antecedem o começo das aulas são considerados os mais fortes do calendário, de acordo com Sophia Bau:
– Neste ano, conseguimos dobrar o número de locações em relação ao ano passado, gerando um impacto muito positivo no faturamento da imobiliária – destaca.
Bruna Lima, da Bravier, classifica o período como “mais estratégico”, com aumento no volume de atendimentos, visitas e contratos fechados. Ela ressalta que o perfil da demanda também se altera ao longo do ano: enquanto o primeiro trimestre concentra estudantes em busca de unidades compactas e bem localizadas, o segundo semestre tende a registrar procura por imóveis maiores, de dois ou três dormitórios, em bairros como Nossa Senhora de Lourdes e Nossa Senhora Medianeira.
Para Maiquel Oliveira, janeiro e fevereiro são os principais meses do ano para a empresa, seguidos por março. Ele define o trimestre como um período que exige preparo operacional para atender um público que, muitas vezes, ainda não conhece a cidade.
– São os principais meses do ano. Janeiro e fevereiro são muito aquecidos, e março ainda mantém essa força. Eu considero realmente a safra da locação em Santa Maria – afirma.
A InVista Imóveis também confirma o peso do período. Segundo Dautiere Guidolin, os três primeiros meses do ano concentram cerca de 40% do faturamento anual do setor na empresa, configurando o melhor resultado dos últimos três anos.
Em contraste, a Gallina Imóveis avalia que o impacto já foi mais expressivo em outros anos.
– O período dos vestibulares já foi muito mais significativo, mas nos últimos anos não tem tido um grande impacto para a nossa empresa, ou pelo menos, não tanto quanto nós desejávamos, infelizmente – pontua Luciane Gallina.
As principais orientações na hora de locar
Além da intermediação contratual, as imobiliárias destacam um papel de orientação, especialmente para jovens que estão saindo da casa dos pais pela primeira vez.
Entre as recomendações mais recorrentes, está a análise detalhada do custo total da locação. Sophia Bau enfatiza a importância de visitar o imóvel antes da assinatura do contrato e de somar aluguel, condomínio, IPTU e demais taxas para evitar surpresas no orçamento. A Itaimbé também oferece modalidades de garantia que, em muitos casos, dispensam fiador.
A leitura atenta do contrato e do laudo de vistoria aparece como ponto central na fala de Bruna Lima, da Bravier, que também destaca a atenção à região da cidade em que o imóvel está localizado:
– Na hora de fechar contrato, é preciso entender bem qual a responsabilidade do locatário. (É importante) ler atentamente o contrato, saber as taxas, o laudo de vistoria. A imobiliária atua como facilitadora, como intermediadora, em que a gente consegue dar uma orientação completa e transparente, além de suporte administrativo e jurídico na locação e durante toda a vigência do contrato.
Maiquel Oliveira destaca que o atendimento vai além da entrega das chaves. A empresa procura auxiliar em etapas práticas da mudança, como ligações de serviços essenciais e indicações de comércio e serviços na cidade. O objetivo, segundo ele, é facilitar a adaptação de quem chega a Santa Maria.
Na Cancian, a orientação também passa pela escolha da localização e pela busca por imóveis mobiliados para quem vem de outras cidades e precisa de praticidade imediata. A avaliação é semelhante à de Luciane Gallina:
– Orientamos os nossos clientes a buscarem um imóvel com calma, prestando a atenção na localização, bairros ou prédios com maior segurança. Atentos também à proximidade de mercados, farmácias, conveniências, paradas de ônibus. Até porque a locação ou a compra de um imóvel não é como comprar uma roupa, que você pode trocar facilmente – destaca Luciane.
Já Dautiere Guidolin, da InVista, orienta planejamento antecipado.
– A principal orientação é entrar em contato com a imobiliária antes de chegar à cidade, agendar visitas e esclarecer previamente as questões documentais e garantias locatícias. Como a demanda é alta neste período, muitos imóveis são locados rapidamente – ressalta.
Lembre de:
- Analisar custo total da locação
- Ler atentamente ao contrato
- Conhecer a região onde o imóvel está localizado
- Procurar por mercados, farmácias, paradas de ônibus e outros serviços próximos
- Agendar visitas com antecedência
Setor em crescimento

Além da movimentação sazonal provocada pelo calendário acadêmico, o cenário atual é de expansão do mercado imobiliário em Santa Maria, na avaliação de representantes do setor.
Para Dautiere Guidolin, da InVista Imóveis e membro da diretoria do Secovi Centro Gaúcho, sindicato da habitação na cidade, o início de 2025 tem sido especialmente positivo.
– Estamos extremamente satisfeitos com o início do ano. O nível de qualidade das imobiliárias e dos profissionais que estão atendendo as pessoas que chegam à cidade está bem elevado. São pessoas que precisam de direcionamento, e esses profissionais estão sabendo fazer isso. O reflexo é o resultado – afirma.
Guidolin avalia que esse desempenho reforça os atrativos de Santa Maria, trazendo não apenas estudantes, mas também militares transferidos, servidores públicos e profissionais que chegam para atuar em empresas locais, muitos deles com as famílias.
Ele também destaca o impacto positivo para investidores que apostam na compra de imóveis para locação, movimento que fortalece a confiança no mercado local.
– Santa Maria está numa crescente gigante no mercado imobiliário. Isso é muito bom para todos nós e para quem acredita no investimento em locação – ressalta.
O aquecimento também é observado na área da construção civil. Em nota enviada à reportagem, a Construtora Jobim afirma que consolidou sua atuação com empreendimentos centrais que historicamente encontram grande aceitação, tanto por familiares de estudantes quanto por investidores voltados à locação.
A empresa destaca, ainda, que seus apartamentos, lojas e escritórios atraem investidores de diversas regiões do Rio Grande do Sul, além de outros Estados e até do Exterior, sendo muitos deles ex-moradores da cidade que conhecem o potencial do mercado local.
Procura deve seguir alta
Com a UFSM prestes a iniciar o semestre letivo e a UFN já em atividade, a tendência é de manutenção da procura nas próximas semanas e no próximo mês.
– A expectativa é que, ao longo de março, a procura acelere ainda mais e se estenda até o fim do mês. Muita gente que vem de outros estados não consegue fechar contrato antes e acaba se hospedando temporariamente até encontrar o imóvel fixo – explica.
O mesmo deve acontecer, embora em menor intensidade, nos meses de junho e julho, com alunos que chegam à cidade para iniciar as aulas no segundo semestre. Segundo Guidolin, o mercado está próximo de alcançar um recorde em comparação aos últimos dois anos. A expectativa é de que, até maio, o crescimento das carteiras de locações e da taxa de ocupação fique entre 25% e 30%.
Embora o ritmo varie entre as imobiliárias, o consenso é que o início do ano letivo continua sendo um dos principais motores do mercado de locação em Santa Maria, cidade que tem na educação superior um de seus pilares econômicos.